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UM NÃO CONSEGUIU FICAR SEM O OUTRO”: amizade de mais de 50 anos emociona o RS após dois amigos morrerem no mesmo dia
Editora da Revista Viral Apresentadora do Programa Em Foco na Rádio CBS FM e integrante da equipe de jornalismo da Rádio. Assessora de comunicação da Coopeagri Produtora de Conteúdo Digital

A repercussão da reportagem sobre a despedida emocionante vivida pela comunidade de Pinheirinho, em Ibirubá, ultrapassou fronteiras e tocou pessoas de diferentes cidades. Após acompanhar a história dos amigos Gentil Scapini e João Sebastião Gularte Correa, a redação da Rádio CBS recebeu um novo e comovente relato enviado por Elisângela Rocha, atualmente moradora de Balneário Camboriú, mas filha de um dos protagonistas de uma amizade que também parece ter vencido até mesmo os limites da vida.

A história aconteceu em Passo Fundo, no último dia 17 de maio de 2026, e envolve Paulo Rocha e Arno dos Santos Nunes — amigos inseparáveis por mais de cinco décadas. Companheiros das lidas campeiras, das gineteadas, dos palanques e das estradas da vida, construíram ao longo dos anos uma amizade que, segundo a própria família, era como a de dois irmãos de coração.

Conhecido em todo o estado do RGS no meio tradicionalista como narrador e promotor de rodeios, Paulo Rocha dedicou grande parte da vida à preservação da cultura gaúcha e das tradições campeiras. Também teve atuação política no município de Gentil, onde exerceu cargos como vice-prefeito, vereador e secretário municipal da Saúde. Sua trajetória fez com que fosse conhecido e respeitado em diversas regiões do Estado.

A despedida de Paulo também foi marcada por uma homenagem carregada de simbolismo. Durante o enterro, familiares, amigos e integrantes do movimento tradicionalista realizaram uma gineteada em sua homenagem, reforçando a ligação profunda que ele tinha com os rodeios, os cavalos e a vida campeira. O último adeus aconteceu em meio às tradições que acompanharam toda a sua história.

Arno não era apenas amigo de Paulo. Era presença constante, parceiro fiel e alguém que esteve ao lado dele principalmente no momento mais difícil de sua caminhada. Durante um ano e três meses de doença, quando Paulo foi perdendo as forças, Arno manteve-se presente semanalmente, sem nunca abandonar o amigo. Mesmo diante do sofrimento e da fragilidade crescente, seguia firme nas visitas, oferecendo companhia, carinho e lealdade.

No dia do velório de Paulo Rocha, Arno foi um dos primeiros a chegar. Muito abalado emocionalmente, permaneceu ao lado do amigo pela última vez, mas acabou passando mal e decidiu retornar para casa. Horas depois, também faleceu.

Paulo partiu às 11h14 daquele dia. Arno partiu poucas horas depois. E uma cena marcou profundamente familiares e amigos: ambos foram velados na mesma capela. Quando o velório de Paulo terminou, o de Arno começou no mesmo local, como se a despedida de um naturalmente aguardasse a chegada do outro.

Em relato enviado à reportagem, Elisângela Rocha descreveu a dor e, ao mesmo tempo, a dimensão dessa conexão rara entre os dois amigos.

“Agora eu vou contar uma história de amizade que foi além da vida 💔

Esse ao lado do meu pai é Arno dos Santos Nunes.

Foram mais de 50 anos de amizade, de parceria nas lidas campeiras, nas gineteadas e nas histórias que a vida foi construindo. Além de palanqueiro do pai, ele era ginete também. Mais do que amigos, eles construíram uma amizade de irmãos. Companheiros de estrada, de lida e da vida inteira.

Durante um ano e três meses de doença, quando meu pai foi perdendo suas forças, ele nunca abandonou ele. Religiosamente, toda semana estava lá. Mesmo vendo o pai cada vez mais debilitado, seguia presente, firme, levando carinho, companhia e lealdade até o fim.

No velório do meu pai, ele foi um dos primeiros a chegar. Estava muito emocionado, abalado com a partida do amigo de uma vida inteira. Ficou um tempo ali, ao lado dele pela última vez. Mas começou a passar mal e decidiu ir para casa.

Ao chegar em casa, acabou passando mal e infelizmente também nos deixou poucas horas depois.

Meu pai partiu às 11h14. O Arno partiu horas depois, neste mesmo dia.

E o que mais me marcou foi isso: eles foram velados na mesma capela… meu pai saiu e o Arno entrou.

Sinceramente, eu nunca vi uma conexão tão forte entre duas pessoas. Parece que uma parte dele simplesmente não suportou ficar aqui sem o velho amigo e irmão de coração de mais de 50 anos.

Hoje eu entendo que existem amizades que nem a morte consegue separar 🖤

Nossa família será eternamente grata pela amizade, carinho e lealdade que o Arno teve com o pai durante toda a vida, principalmente nos momentos mais difíceis.

E deixamos aqui também os nossos mais sinceros sentimentos a toda a família do Arno 💔

Com certeza, eles estão fazendo uma grande gineteada lá no céu.”

Para familiares e pessoas próximas, fica a lembrança de uma amizade construída na simplicidade da vida no campo, nas histórias compartilhadas e no companheirismo verdadeiro. Histórias como essa emocionam justamente porque mostram que existem laços tão profundos que nem mesmo a morte consegue separar.

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