Ibirubá | Noticias | Saúde

Surto de cinomose preocupa veterinárias, protetores e ONG MiAu Juda em Ibirubá

Editora da Revista Viral
Apresentadora do Programa Em Foco na Rádio CBS FM e integrante da equipe de jornalismo da Rádio.
Assessora de comunicação da Coopeagri
Produtora de Conteúdo Digital

O aumento dos casos de cinomose canina tem gerado preocupação entre médicos-veterinários, protetores independentes e voluntários da ONG MiAu Juda em Ibirubá. Considerada uma das doenças mais graves que afetam os cães, a enfermidade tem sido registrada com maior frequência nos bairros Hermany e Floresta, onde foram observados os maiores números de casos até o momento.

A cinomose é uma doença viral altamente contagiosa, causada por um vírus que atinge principalmente cães não vacinados. A transmissão ocorre por meio do contato com secreções respiratórias, saliva, urina, fezes ou ambientes contaminados. Em locais onde há grande circulação de animais abandonados, a disseminação acontece de forma ainda mais rápida, colocando em risco cães domiciliados e animais que vivem nas ruas.

Os sintomas podem variar conforme a fase da doença, mas geralmente incluem febre, apatia, perda de apetite, secreção ocular e nasal, tosse, vômitos, diarreia e emagrecimento. Em estágios mais avançados, o vírus pode atingir o sistema nervoso, provocando tremores, convulsões, dificuldade de locomoção, movimentos involuntários e, em muitos casos, levando o animal à morte.

A situação tem preocupado especialmente os voluntários da ONG MiAu Judá, que recebem diariamente pedidos de ajuda relacionados a cães abandonados e doentes. Segundo a entidade, muitos dos animais encontrados nas ruas não possuem vacinação e acabam se tornando focos de transmissão da doença.

Além do sofrimento dos animais, o abandono tem gerado um problema crescente para a comunidade. Embora a cinomose não seja transmitida aos seres humanos, a proliferação de cães abandonados e doentes representa um desafio de saúde pública, exigindo atenção da sociedade e das autoridades. O aumento da população de animais sem cuidados favorece a disseminação de doenças, acidentes e situações de risco para toda a população.

As voluntárias da ONG MiAu Judá destacam que a entidade não possui mais condições de atender a demanda crescente de resgates. Atualmente, o canil abriga mais de 380 animais, número que já supera a capacidade ideal de atendimento.

“Não temos condições financeiras e estruturais para atender tantos pedidos de ajuda. Cada cão abandonado, cada animal resgatado, gera um custo mínimo de R$ 500 entre consultas, exames, medicamentos, alimentação e demais cuidados. Somos voluntárias, não temos como arcar com tantos problemas sozinhas”, relatam integrantes da ONG.

As protetoras também fazem um apelo para que a comunidade passe a combater o problema na origem. “A comunidade nos cobra diariamente para recolher animais, mas muitas vezes não cobra quem abandona. Quando alguém presencia um abandono, é importante denunciar, acionar a Brigada Militar, a Polícia Civil ou os órgãos competentes. O abandono é crime e precisa ser tratado como tal. Enquanto as pessoas continuarem abandonando animais sem consequências, o problema só vai aumentar”, alertam.

Segundo a entidade, a entrada de cães infectados ou com suspeita de cinomose no canil poderia colocar em risco centenas de outros animais já acolhidos. “Nosso canil já está no limite. Receber animais infectados seria colocar centenas de outros cães em risco. Precisamos que a população entenda que a solução não é apenas pedir que a ONG recolha os animais, mas sim prevenir o abandono e promover a posse responsável”, reforçam as voluntárias.

Veterinários destacam que a principal forma de prevenção é a vacinação. O protocolo vacinal deve ser iniciado ainda nos primeiros meses de vida do filhote e mantido atualizado ao longo da vida do animal. Também é importante evitar o contato de cães não vacinados com animais de origem desconhecida ou que apresentem sintomas suspeitos.

Diante do aumento dos casos, a orientação é para que os tutores mantenham a vacinação em dia, procurem atendimento veterinário ao perceber qualquer sinal da doença e denunciem situações de abandono. Mais do que um problema animal, a cinomose evidencia uma realidade que envolve responsabilidade coletiva, conscientização e o compromisso de toda a comunidade com o bem-estar dos animais.

Gostou? Veja mais!