O Rio Grande do Sul segue enfrentando uma intensa onda de calor, com temperaturas muito acima da média para esta época do ano. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta vermelho para parte do Estado, indicando risco devido ao calor persistente. O pico do fenômeno ocorre entre quinta (5) e sexta-feira (6), quando os termômetros podem se aproximar ou até superar os 40ºC, principalmente nas regiões Oeste, Noroeste e Missões.
Segundo o Inmet, a onda de calor é caracterizada pela manutenção de temperaturas ao menos 5ºC acima da média por vários dias consecutivos, com noites pouco refrescantes. Esse padrão vem se consolidando desde o início da semana, impulsionado por ar seco, céu aberto e ausência de chuva, fatores que intensificam o desconforto térmico e os riscos à saúde.
A previsão indica que o calor intenso persiste até sábado (7). A partir da tarde de sexta-feira, a atuação de uma frente fria começa a enfraquecer o bloqueio atmosférico, provocando mudanças graduais no tempo. Entre os efeitos esperados estão aumento da nebulosidade, pancadas de chuva, rajadas de vento e possibilidade de temporais isolados, com volumes de chuva que podem chegar a 40 ou 50 milímetros em algumas regiões.
O alívio, porém, não será imediato. O solo seco e aquecido demora a perder calor, e áreas urbanas tendem a manter temperaturas elevadas devido ao efeito de ilha de calor. Mesmo assim, durante o sábado e o domingo (8), a tendência é de temperaturas mais amenas em todo o Estado, marcando o fim do período de calor extremo.
Prejuízos no Campo: o que dizem os especialistas
Além dos impactos no dia a dia da população, a onda de calor já provoca prejuízos significativos no campo. Segundo Márcio Ücker, especialista em Gestão de Negócios pela ISCTE, de Lisboa (Portugal), e em Gestão, Economia e Agronegócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a situação é preocupante. Ele relata que tem visitado diariamente propriedades do interior para acompanhar as lavouras e que as perdas médias já variam entre 20% e 30%, chegando a 50% em alguns pontos do Estado. Ücker alerta que, se não houver chuva neste fim de semana e o clima seco persistir, os prejuízos podem aumentar rapidamente. De acordo com seu sistema de previsão, baseado em dados de estações climáticas, a expectativa de chuva mais consistente é apenas a partir do dia 13 de fevereiro.
