O sistema de pedágio Free Flow, também conhecido como pedágio eletrônico em livre passagem, começa a se consolidar no Brasil e promete transformar a forma como os motoristas pagam para trafegar pelas rodovias. O modelo elimina as tradicionais praças de pedágio com cancelas e permite que os veículos sigam viagem sem precisar parar, tornando o trânsito mais fluido e moderno.
Nesse sistema, a cobrança ocorre por meio de pórticos instalados ao longo das rodovias, equipados com sensores, câmeras e leitores de TAG eletrônica. Quando o veículo passa pelo ponto de controle, o sistema identifica automaticamente a placa ou a etiqueta eletrônica instalada no carro, registrando a passagem e efetuando a cobrança de forma digital.
A implantação ocorre de forma gradual nas rodovias concedidas do país, substituindo aos poucos as praças físicas. Neste primeiro momento, o valor total do pedágio permanece o mesmo previsto nos contratos de concessão. A fase inicial serve para adaptação de usuários, concessionárias e órgãos de fiscalização ao novo modelo, que no futuro deverá permitir cobrança proporcional à distância percorrida, tornando o sistema mais justo.
Rodovias federais em diferentes estados já começaram a adotar o modelo, como trechos da BR-101 entre Rio de Janeiro e São Paulo, BR-381 e BR-262 em Minas Gerais, BR-116 na Rodovia Presidente Dutra, BR-364 em Rondônia e rodovias do Paraná, onde os pórticos eletrônicos já registram automaticamente a passagem dos veículos.
No Rio Grande do Sul, o sistema também deve ganhar força nos próximos anos. O planejamento estadual prevê que o número de pontos de cobrança automática passe de 6 para 53 até 2028, ampliando significativamente o uso da tecnologia nas estradas gaúchas. Entre as rodovias que devem receber pórticos estão as RS-128, RS-129, RS-130, RS-135, RS-324 e RS-453, com previsão de expansão posterior para outras nove rodovias do estado.
Apesar das vantagens em fluidez e segurança viária, o sistema exige atenção dos motoristas. Quem passar pelos pórticos sem efetuar o pagamento em até 30 dias pode receber multa de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação, conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro.
A recomendação é que os motoristas utilizem TAG eletrônica, que realiza a cobrança automaticamente. Também é possível quitar a tarifa posteriormente por meio do site da concessionária responsável, geralmente com opções de pagamento via Pix, cadastro para avisos de cobrança e totens de autoatendimento instalados ao longo das rodovias.
Com a expansão do Free Flow, o Brasil caminha para um modelo de pedágio mais tecnológico e eficiente. A expectativa é que, ao longo da próxima década, a cobrança proporcional por quilômetro percorrido se torne realidade, marcando uma nova etapa na gestão das rodovias e na mobilidade dos usuários.
Por Raquel Balin Corrêa
