A Cotribá, cooperativa agropecuária mais antiga do Brasil, divulgou nesta quinta-feira (27) um comunicado oficial anunciando que atravessa um momento financeiro delicado devido à crise que atinge o agronegócio no Rio Grande do Sul. Para enfrentar a situação e garantir a continuidade de suas atividades, a cooperativa conseguiu uma decisão judicial inédita que autoriza a aplicação dos efeitos da Lei de Recuperação Judicial às cooperativas, por meio de uma tutela cautelar antecedente. A decisão foi concedida pelo juiz Eduardo Sávio Busanello, da Vara Regional Empresarial de Santa Rosa.
Na prática, essa medida permite que a Cotribá reorganize suas dívidas com bancos e fornecedores, criando condições para negociações mais equilibradas e sustentáveis. Com isso, a cooperativa busca proteger suas atividades essenciais — como o recebimento de grãos, a produção e venda de rações, insumos, supermercados e demais serviços — garantindo receitas para cumprir obrigações e preservar o patrimônio coletivo.
A Cotribá reforça que os associados não serão prejudicados. Segundo o comunicado, todos os compromissos com os mais de 9.500 produtores rurais continuarão sendo honrados, preservando o chamado “ato cooperativo” e a relação de confiança que marca os 114 anos de história da instituição.
A direção explica que a medida integra um plano mais amplo de reestruturação, que inclui planejamento financeiro e alianças estratégicas para fortalecer a cooperativa, manter mais de mil empregos e assegurar seu papel no desenvolvimento econômico regional. O advogado Paulo Motes, responsável pela assessoria jurídica, destacou que o pedido foi elaborado com extremo cuidado para garantir conformidade legal e proteger os associados, ao mesmo tempo em que busca atender de forma equilibrada os interesses de todos os credores.
A Cotribá encerra a nota afirmando que a prioridade é proteger associados, colaboradores e o futuro da cooperativa, confiando na união e no cooperativismo para superar o momento desafiador.
