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Alerta no Campo: Super El Niño Ameaça Colheita do Trigo e Calendário da Soja no RS

Editora da Revista Viral
Apresentadora do Programa Em Foco na Rádio CBS FM e integrante da equipe de jornalismo da Rádio.
Assessora de comunicação da Coopeagri
Produtora de Conteúdo Digital

Com previsão de chuvas até 200 mm acima da média histórica, produtores do Norte, Missões e Oeste gaúcho enfrentam o desafio de proteger o cereal e ajustar a janela de plantio da nova safra.

O encerramento da primavera de 2026 e o início do verão trazem um cenário de forte preocupação para o agronegócio no Rio Grande do Sul e no Oeste de Santa Catarina. Uma análise climática publicada pela MetSul Meteorologia confirma que a intensidade do fenômeno El Niño atingiu patamares excepcionais no Pacífico Central, configurando um "Super El Niño". Para o produtor gaúcho, o reflexo prático dessa oscilação será sentido nas próximas semanas na forma de chuva excessiva e temporais frequentes.

Analisando tecnicamente o mapa de anomalia de chuva projetado pelo modelo europeu, que foi divulgado pela MetSul e anexo a esta matéria, fica claro o desenho do risco. O mapa aponta para uma mancha severa de precipitação acima a muitíssimo acima da média histórica justamente sobre o Noroeste e o Norte do território gaúcho.

Historicamente, o acumulado de precipitação entre o início de novembro e os primeiros dez dias de dezembro varia entre 180 mm e 229 mm nas regiões Norte, Missões e Oeste do estado. Contudo, sob o efeito do fenômeno atual, projeta-se uma anomalia severa: os volumes podem registrar de 150 mm a 200 mm a mais do que a média climatológica. Na prática, cruzando os dados históricos com as projeções do modelo, os volumes totais acumulados no período devem oscilar entre impressionantes 300 mm e 500 mm nessas áreas de maior risco.

O impacto nas culturas: trigo e soja em direções opostas

Esse cenário de umidade extrema atinge o coração do calendário agrícola gaúcho em um momento crítico de transição de safras:

  • Trigo em risco na reta final: O excesso de chuva representa uma ameaça direta à colheita das lavouras de inverno. A umidade excessiva nesta fase pode derrubar a qualidade do grão (PH), aumentar a incidência de doenças fúngicas e dificultar a entrada das colheitadeiras em campo.
  • Logística travada na soja: Para a safra de verão 2026/2027, o grande desafio será encontrar janelas de solo seco para avançar com as plantadeiras. Embora a umidade garanta boa germinação inicial, o excesso de água impede o trabalho das máquinas, eleva o risco de erosão e provoca a lixiviação de nutrientes essenciais.

Estratégia e monitoramento

Com a perspectiva de cheias em rios importantes como o Uruguai, o momento exige planejamento cirúrgico. Maximizar a capacidade operacional nos curtos intervalos de tempo seco e reforçar o monitoramento fitossanitário serão as ferramentas mais valiosas para mitigar os prejuízos e proteger o potencial produtivo da temporada.

Para conferir a análise detalhada e os dados de previsão, acesse a matéria completa no site da MetSul: Quais estados devem ter mais impactos do El Niño nas próximas semanas.

Marcio Ücker
Produtor Rural e Gestor de Inteligência Agroclimática

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