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Daiane Godoy de Souza: força, foco e propósito no palco e na vida
Editora da Revista Viral Apresentadora do Programa Em Foco na Rádio CBS FM e integrante da equipe de jornalismo da Rádio. Assessora de comunicação da Coopeagri Produtora de Conteúdo Digital

A trajetória de Daiane Godoy de Souza, 35 anos, é a prova viva de que grandes transformações nascem da determinação e do amor pelo que se faz. Ibirubense que reside em Passo Fundo há 2 anos, filha de Maria Ignes Godoy de Souza e Juarez de Souza, Daiane sempre teve uma vida ativa e uma forte ligação com o esporte. Mas foi na musculação que Daiane encontrou não apenas uma atividade física, e sim um propósito, um espaço de autoconhecimento, superação e equilíbrio entre corpo e mente.

O que começou em 2010 como uma prática voltada ao bem-estar tornou-se, com o passar dos anos, uma verdadeira paixão. E foi dessa paixão que nasceu o desejo de ir além, de transformar dedicação em performance e rotina em propósito. Depois de dois anos de treinos direcionados e de uma preparação intensa, Daiane decidiu encarar um novo desafio: o fisiculturismo. Em sua estreia nos palcos, no tradicional campeonato Batalha dos Pampas, promovido pela Federação IFBB RS, realizado em Pelotas, ela brilhou na categoria Wellness Master, conquistando o Top 5 e marcando sua entrada no esporte com força e confiança.

Daia, a musculação sempre foi uma paixão na sua vida? Em que momento você percebeu que poderia transformar esse amor em algo ainda maior, entrando no fisiculturismo?

Sempre fui uma pessoa muito ativa e que sempre gostou de praticar esportes. A musculação, em especial, entrou na minha vida em 2010, quando tive meu primeiro contato com a modalidade. No entanto, foi há cerca de dois anos que passei a treinar de forma mais direcionada, com foco em aprimorar minha performance e alcançar resultados mais consistentes. Com o tempo, a musculação se transformou em uma verdadeira paixão, não apenas pelos benefícios físicos e estéticos, mas também pelo impacto mental que ela proporciona. É o meu momento de conexão comigo mesma, a minha “válvula de escape”, um espaço em que consigo equilibrar corpo e mente, onde literalmente canso o corpo, mas descanso a cabeça.

Quanto ao fisiculturismo, além de sempre ter admirado o esporte e acompanhado os campeonatos pela internet, comecei a receber muitos comentários e incentivos de pessoas próximas, que enxergavam em mim um potencial para competir. Essas palavras foram despertando em mim a curiosidade e o desejo de ir além. Aos poucos, fui amadurecendo a ideia, estudando mais sobre o universo do fisiculturismo e entendendo o que seria necessário para me preparar de verdade. No início de 2025, tomei a decisão de encarar o desafio e mergulhar nesse novo objetivo. A partir daí, iniciei um processo intenso de preparação que durou seis meses — um período de muito aprendizado, dedicação e superação, onde pude descobrir o quanto o corpo e a mente são capazes quando estão alinhados por um propósito.

Que concurso foi esse, onde aconteceu e qual colocação você conquistou?

Participei do campeonato Batalha dos Pampas, realizado pela Federação IFBB RS, na cidade de Pelotas. Foi uma experiência marcante por vários motivos: além de ter sido o meu primeiro campeonato, era também a concretização de um sonho que vinha sendo construído ao longo de meses de preparação intensa. Competir na categoria Wellness, ao lado de outras nove atletas extremamente preparadas, foi desafiador e, ao mesmo tempo, muito gratificante. Entre tantas competidoras talentosas, conquistei o Top 5, um resultado que me encheu de orgulho e confirmou que todo o esforço, disciplina e dedicação valeram a pena. Essa conquista representou muito mais do que uma colocação: foi a prova de que eu estava no caminho certo e que essa nova jornada no fisiculturismo apenas começou.

O que mais te motivou a encarar o desafio de competir pela primeira vez?

Nos últimos dois anos, venho mantendo uma rotina bastante disciplinada, tanto em relação à alimentação quanto aos treinos, sempre buscando evoluir e alcançar uma melhor performance. No entanto, percebi que, apesar de toda essa dedicação, eu ainda não tinha um objetivo final muito claro, algo que realmente me desafiasse e me fizesse sair da zona de conforto. Foi aí que decidi participar do campeonato. Essa escolha me trouxe uma nova perspectiva, me exigiu um nível ainda maior de foco, determinação e, principalmente, muitas abdicações.

O que realmente me motiva é justamente o “desconforto” do desafio, essa sensação de estar constantemente se testando, de ver até onde posso ir. Enxerguei no campeonato uma oportunidade de colocar tudo isso à prova, de transformar a rotina em propósito e de viver uma experiência que fosse capaz de me impulsionar ainda mais. E foi exatamente isso que aconteceu: competir se tornou um divisor de águas na minha trajetória dentro da musculação.

Como foi o processo de amadurecimento dessa decisão? Houve algum momento em que você pensou em desistir?

Foi um processo muito bem pensado e ponderado. Eu sabia que, por mais que já tivesse uma rotina bastante disciplinada em relação a treinos e alimentação, a preparação para uma competição exigiria ainda mais de mim física, mental e emocionalmente. Então, antes de tomar a decisão, procurei refletir bastante sobre o que realmente significaria entrar nesse desafio e se eu estava disposta a encarar tudo o que ele envolvia.

Quando finalmente defini que iria participar, entreguei o meu melhor em cada etapa. Desde o primeiro dia de preparação, mantive o foco no objetivo e a certeza de que queria viver essa experiência por completo. Mesmo nos momentos mais desafiadores — porque eles sempre existem — em nenhum instante pensei em desistir. O propósito estava muito claro para mim, e essa clareza foi o que me manteve firme do início ao fim.

Sabemos que o fisiculturismo exige dedicação extrema e muitas abdicações. Quais foram as mudanças mais difíceis de implementar na sua rotina?

Em relação à dieta e aos treinos, eu já vinha de um processo bem estruturado e consistente, então não enfrentei grandes dificuldades ou necessidade de adaptações drásticas. Claro que, nas últimas três semanas antes do campeonato, a rotina ficou mais “apertada”, especialmente no que diz respeito à alimentação. Foram dias de muita disciplina, em que precisei controlar várias vontades, mas sem jamais chegar ao ponto de passar fome.

No entanto, posso dizer que o maior desafio de toda a preparação foi a inclusão das aulas e treinos de desfile e poses. Esse foi, sem dúvida, o ponto que mais me tirou da zona de conforto. É uma parte do processo que exige postura, presença de palco e muita técnica, além de confiança para se apresentar diante do público e dos jurados. Foi algo completamente novo para mim, e justamente por isso acabou sendo o aprendizado mais intenso e transformador de toda a jornada.

Como foi a sensação de subir no palco pela primeira vez? O que passava na sua mente naquele instante?

Foi uma sensação simplesmente surreal, daquelas que são difíceis de colocar em palavras. Estar ali, sob as luzes, depois de meses de dedicação e entrega, trouxe uma mistura única de felicidade, leveza e realização. Era como se todo o esforço tivesse se transformado em energia positiva naquele instante. Meu pensamento estava totalmente focado em fazer o meu melhor, em apresentar um bom desfile, executar bem as poses e transmitir confiança em cada movimento.

Curiosamente, não senti nervosismo nem vergonha. Pelo contrário, me senti completamente à vontade, como se aquele fosse o meu lugar. Era uma sensação de plenitude, quase como se eu estivesse flutuando. Apenas deixei o momento acontecer e vivi intensamente cada segundo no palco, uma experiência que ficará marcada na memória para sempre.

Muitas pessoas têm curiosidade sobre o lado psicológico do fisiculturismo. De onde vem a serenidade e a confiança que você transmitiu no palco?

Sem dúvida, o que mais pesa em toda a preparação é o aspecto psicológico. É preciso ter o que eu chamo de “cabeça de atleta”: entender o que se escolheu, manter o foco absoluto no objetivo e cumprir cada etapa com comprometimento. O fisiculturismo exige muito mais da mente do que se imagina, e é essa força mental que sustenta o corpo nos momentos em que o cansaço e as dúvidas aparecem.

Acredito que a disciplina é o que se transforma em confiança. A serenidade que levei ao palco veio justamente da consciência tranquila em relação à minha entrega. Eu sabia que havia feito tudo o que estava ao meu alcance, dei o meu melhor em cada treino, segui cada plano alimentar com dedicação e não deixei nada pela metade. Essa sensação de dever cumprido foi o que me permitiu subir no palco em paz, segura e confiante. E, para mim, esse equilíbrio mental é o que tem o maior valor em toda essa jornada.

O fisiculturismo é também um trabalho em equipe. Qual foi o papel do seu companheiro, família, amigos e profissionais nesse processo?

Ter ao meu lado pessoas que me apoiaram foi fundamental para que eu me mantivesse firme e equilibrada psicologicamente durante toda a preparação. O suporte emocional faz toda a diferença, principalmente em uma fase que exige tanta disciplina, foco e renúncias. Outro ponto muito importante foi entender que essa era uma escolha minha, um objetivo pessoal. Por isso, desde o início, tive a consciência de que era eu quem precisava me adaptar à rotina e não o contrário. Não fazia sentido cobrar das pessoas à minha volta que mudassem seus hábitos por causa da minha dieta ou das minhas restrições; afinal, quem estava em preparação era eu. Essa maturidade me ajudou a lidar melhor com os desafios e a manter boas relações durante o processo.

O Lucas, meu companheiro, teve um papel essencial. Ele me deu apoio, incentivo e auxílio em todos os momentos, desde o início até o dia do campeonato. Com certeza, ter ele ao meu lado diariamente tornou tudo mais leve e possível. Minha família e amigos também foram fundamentais, sempre me transmitindo carinho, paciência e palavras de incentivo para seguir firme.

E, claro, nada disso seria possível sem o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar de profissionais incríveis, que me orientaram e ajustaram cada detalhe para que eu chegasse ao palco na minha melhor versão. Tive o suporte de treinador, nutricionista, médico nutrólogo, massoterapeuta e professora de poses, todos trabalhando em conjunto para o mesmo propósito. Além disso, contei com o apoio financeiro de parceiros, como uma academia e uma empresa de equipamentos de musculação, que acreditaram no meu potencial e contribuíram para que essa conquista se tornasse realidade.

Entrar no Top 5 Wellness Master já na estreia é uma conquista incrível. O que esse resultado significa para você?

Sem dúvidas, considero um resultado extraordinário para uma estreia. Estar entre as cinco melhores logo na primeira competição é algo que me enche de orgulho e que, de certa forma, materializa todo o esforço, disciplina e dedicação de meses de preparação. Cada treino, cada refeição e cada escolha feita ao longo desse processo estão representados nessa conquista.

Mais do que a medalha em si, o que realmente tem valor para mim é a sensação de tranquilidade e de dever cumprido. Saber que entreguei o meu melhor em todas as etapas é o que torna essa experiência tão significativa. Esse resultado simboliza não apenas um reconhecimento, mas também a confirmação de que estou no caminho certo e isso é o que mais me motiva a continuar evoluindo.

Agora que você já experimentou essa jornada, quais são os seus planos e metas para os próximos anos no esporte?

Com toda certeza, pretendo seguir no fisiculturismo. Foi uma experiência incrível, transformadora e que despertou ainda mais a minha paixão pelo esporte. Quero viver tudo isso novamente com ainda mais aprendizado, evolução e propósito.

Para 2025, o meu planejamento era exclusivamente participar desse primeiro campeonato, e estou muito satisfeita com o que conquistei. Agora, o próximo passo será analisar com calma o feedback da arbitragem, entender os pontos que precisam ser aprimorados e, com base nesse direcionamento, iniciar um novo ciclo de preparação. A ideia é trabalhar de forma estratégica e consistente ao longo do próximo ano, para chegar ainda mais preparada aos campeonatos de 2026. Tenho certeza de que essa é apenas a primeira etapa de uma trajetória que ainda tem muito a crescer.

Para quem sonha em competir, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo, qual seria a sua mensagem de incentivo?

Você é muito mais forte do que imagina! O primeiro passo sempre parece o mais difícil, mas é justamente ele que abre as portas para tudo o que você pode conquistar. Defina um objetivo claro, mantenha o foco e a determinação, e, acima de tudo, aprenda a dominar a sua mente porque é nela que as maiores batalhas acontecem. Entregue o seu melhor todos os dias e confie no processo.

Nada é mais gratificante do que subir naquele palco e sentir, de verdade, que você se superou. A vitória começa muito antes do resultado final; ela está em cada escolha, em cada renúncia e em cada momento em que você decide não desistir.

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