Villa Dharma apresenta a coleção "Patuá" e leva a moda potiguar à Europa
Pela segunda vez consecutiva, a Villa Dharma, marca de Natal (RN), apresentou uma coleção em Milão, uma das quatro capitais mundiais da moda. O desfile da coleção Patuá, símbolos de fé verão 2027, aconteceu no dia 22 de setembro, no Brazilian Sustainable Fashion in Milan, no claustro I Chiostri di San Barnaba. O evento foi organizado pela Abit em parceria com a ApexBrasil, por meio do programa Texbrasil, com apoio da Abrimos. Estiveram na plateia compradores internacionais e imprensa especializada.
A experiência
Depois do desfile, a marca expôs suas criações em showroom privativo para compradores europeus nos dias 23 e 24. Em seguida, entre os dias 24 e 27, fechou seu calendário de viagem com exposição da marca na White Milano, principal feira de moda contemporânea e de vanguarda da Itália, dentro do ecossistema global da Milan Fashion Week. Realizado no icônico Tortona Fashion District, o evento atua como uma plataforma internacional de negócios (B2B) indispensável para conectar marcas emergentes, designers experimentais e startups inovadoras aos principais compradores e grandes lojas de departamento do mundo. Sua importância vai além do comércio de vestuário pronto (prêt-à-porter): a feira lidera tendências ao integrar sustentabilidade, artesanato tradicional e tecnologia, servindo inclusive como uma vitrine de internacionalização estratégica para a moda global — permitindo que coleções de diversos países traduzam sua identidade criativa em oportunidades concretas de negócios sustentáveis e de alto padrão
"Estar em Milão é colocar o Rio Grande do Norte em uma vitrine que o mundo inteiro observa. Mas o que mais nos emociona é ver compradores e jornalistas europeus maravilhados diante de uma renda de bilro, um bordado em junco ou quando contamos de onde vem os nossos tingimentos naturais", afirma Vanessa Stadtlober, fundadora e diretora criativa da marca.
Impacto econômico
A participação faz parte da estratégia de internacionalização da marca. Para as feiras, a Villa Dharma preparou uma política comercial própria para o mercado europeu, com o objetivo de ampliar pontos de venda em lojas multimarcas e concept stores do continente, onde já atua desde o ano passado.
Cada pedido internacional movimenta toda a teia produtiva da marca. Hoje, 98% das pessoas envolvidas na produção são mulheres: modelistas, costureiras, tintureiras, bordadeiras e artesãs. Elas somam mais de 20 famílias impactadas diretamente.
"Quando uma loja na Europa compra uma criação nossa, está remunerando o saber de uma rendeira, de uma bordadeira, de uma tintureira daqui. É assim que uma artesania, quando associada à moda de alta costura através de uma releitura contemporânea, sai do lugar de um puro artesanato e ocupa os holofotes onde deveria estar", diz Vanessa.
A coleção Patuá: símbolos de fé
O patuá é um pequeno amuleto de proteção. Seu formato e seu significado mudam
conforme a região, a família e a crença. Em vez de ler o patuá pela ótica de uma única
religião, a Villa Dharma parte dele para falar da fé como algo humano e plural. A coleção
pensa no que cada pessoa leva consigo para se proteger, no que passa de geração em
geração e no que dá esperança para seguir em frente. É uma fé que aparece em gestos
cotidianos: a pimenta pendurada na porta, o sal grosso nos cantos da casa, o olho grego de
vidro azul, a figa de madeira, a ferradura. São símbolos de origens africanas, europeias,
indígenas e orientais que apontam para o mesmo lugar: a esperança de que tempos
melhores virão.
A paleta une o branco, cor presente em quase todas as tradições espirituais como símbolo
de começo e acolhimento, aos tons de terra: o bege natural do junco, o dourado da juta e o
marrom suave do pau-brasil. Os materiais são linho puro, seda, algodão orgânico
certificado, sisal, junco e juta. Sobre eles, entram técnicas artesanais praticadas por
mulheres das comunidades que habitam o entorno onde a marca está inserida.
● renda de bilro, cultura preservada e passada de geração em geração pelas
Rendeiras de Alcaçuz
● bordado richelieu, provenientes de Timbaúba dos Batistas
● crochê da comunidade de Pium, litoral de Natal (RN)
● macramê; realizado pelas artesãs do Mercado Público de Natal
● trabalhos em junco, fibra vegetal nativa; desenvolvido pelas bordadeiras de Pirangi,
litoral de Natal (RN)
Parte dos tecidos foi tingida com pau-brasil, a árvore que deu nome ao nosso país. O pó
usado no tingimento vem da poda de manejo da agrofloresta onde fica o ateliê da marca, a
Ecovila Pau Brasil. Nenhuma árvore é derrubada: o que seria descarte vira cor.
"Não levamos o Nordeste como tema, levamos como matéria. O que está na passarela
nasceu aqui, da nossa terra e das mãos da nossa gente", resume Vanessa.
Uma estrela desenhada no Rio Grande do Norte
A Patuá traz ainda uma collab com o arquiteto e designer potiguar Felipe Bezerra,
convidado para criar o símbolo gráfico da coleção. Felipe desenhou à mão uma estrela que
se tornou a assinatura visual da Patuá. Ela aparece nas roupas, nas etiquetas e em todo o
material de comunicação.
A parceria reflete um compromisso da marca: levar a produção criativa do Nordeste ao
circuito internacional da moda contemporânea. "Não como referência exótica, mas como
design, técnica e autoria", destaca Vanessa.
Cada coleção passa a ter a presença de um artista do estado. Antes de Patuá, em
Encantarias do Nordeste Brasileiro, Ariell Guerra, artista potiguar, assinou as obras pintadas
à mão.
Sobre a Villa Dharma
Fundada em 2023 por Vanessa Stadtlober em Natal (RN) a Villa Dharma é uma marca
autoral que une design contemporâneo, fibras naturais certificadas, tingimento botânico e
técnicas artesanais praticadas por mulheres artesãs da região. O nome vem do sânscrito
dharma, entendido como propósito. A "Villa" é a comunidade de mulheres cujos saberes se
encontram em cada coleção. Em 2025, a marca estreou em Milão com a coleção
Encantarias do Nordeste Brasileiro. Este ano volta à passarela da capital da Moda com
Patuá, consolidando sua trajetória internacional.







